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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Outras formas de cumprimentar

Mäyjo, 12.05.20

Com a pandemia do COVID, muitas coisas mudaram nas nossas vidas.

Abandonámos comportamentos que até agora faziam parte de um modo de vida normal.

Parte desse comportamento é como nos cumprimentamos. Deixámos de nos poder cumprimentar com o tradicional aperto de mão ou com o beijinho na face, tão comuns nas culturas ocidentais, devido ao risco/medo do contágio.

As pessoas pararam de apertar as mãos, um sinal de confiança, mas agora a maneira mais comum de transmitir o vírus. Outras formas de saudação surgiram no lugar de um aperto de mão, como o chamado 'shake de Wuhan', uma espécie de batido de pé, sapateado ou os “choque de cotovelos” inventado na União Europeia.

Mas em outros cantos do mundo as pessoas puderam continuar com os seus gestos habitais para se cumprimentarem; é o caso de muitas pessoas nos países da asiáticos. Elas usam gestos tão ou mais significativos que os nossos e que não envolvem o contacto físico. É o caso do Namasté e do Wai

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Namaste, Image – Stock Photos

Namasté é um gesto com milhares de anos que se faz juntando as palmas das mãos, ao nível do peito, com os dedos juntos e a apontar para cima, ao mesmo tempo que se baixa ligeiramente a cabeça.

Também chamado de Namaskar ou Namaskaram, este gesto é usado para receber convidados ou parentes, bem como para reconhecer estranhos, e funciona tanto como saudação como valorização.

Diz-se que o gesto expressa honra, educação, cortesia, hospitalidade e gratidão à outra pessoa – e significa algo do género “o Divino em mim faz uma vénia ao Divino em ti”. Bonito, hem?

Bem mais profundo que o nosso aperto de mão, que contam as crónicas que nasceu no faroeste dos Estados Unidos da América, e que era uma forma de mostrar ao outro que não se trazia uma arma.

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O Wai, a saudação mais comum usada pelos nativos da Tailândia, consiste em unir as palmas das mãos enquanto inclinamos ou abaixamos a cabeça. Às vezes, o Wai é realizado para acompanhar uma saudação verbal. Outras vezes, é um ato não verbal, sem acompanhamento verbal.

O Wai tailandês é uma clara evidência da influência indiana no país.  Noutros tempos, no Camboja e na India também era assim que se saudava os deuses. Há muitas referências gráficas (em pinturas, baixos relevos e esculturas) de pessoas deitadas no chão em adoração máxima.

Serve para mostrar respeito e é usado para dizer: olá, obrigada, adeus, pedir desculpa

 

Fogueiras de Natal - Aquecer a noite do Menino Jesus

Mäyjo, 24.12.14

Fogueiras de Natal - Aquecer a noite do Menino Jesus

«Fogueira de Natal», «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo». Muitos são os nomes dados a uma mesma tradição portuguesa. Os rapazes, em Dezembro, começam a juntar madeiros e cepos no largo principal da localidade. O lume gigante será aceso na noite de 24 de Dezembro «para iluminar o nascimento de Cristo». A Sul, na vila de Barrancos, cumpre-se esta tradição. É o ponto de partida para uma viagem pelas fogueiras do Natal.

Os sinos da Igreja tocam. O som ritmado dá início à procissão em honra da padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Em Barrancos, o 8 de Dezembro é feito de tradições ancestrais e nem o frio que se sente afasta miúdos e graúdos das 
ruas íngremes da vila alentejana. No sobe e desce de artérias estreitas com varandas, neste dia decoradas com mantas, as mais bonitas da casa, a padroeira a todos abençoa. O Natal em Barrancos começa assim.

Os sinos voltam a badalar. A Santa recolhe à Igreja, no Largo da Liberdade. Fecham-se as portas do santuário e inicia-se um outro ritual: os mais novos trazem do campo, arrastando pelas ruas, os primeiros troncos para a fogueira de Natal. Faltam 16 dias para a noite de 24 de Dezembro. Todos os dias até à noite de Natal se depositarão troncos na fogueira. Antigamente, a madeira carregava-se com a força dos braços desde o campo até ao centro da vila. Hoje um tractor trata dos troncos maiores.

Acumulam-se os madeiros, cepos, galheiros no centro do Largo da Liberdade. Uma tradição que apela ao convívio e união característicos da quadra e que se repete um pouco por todo o país. A «fogueira de Natal» é também denominada como «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo».

«Sob a influência da Igreja, a fogueira profana de adoração solar dos Romanos passou a ser cristianizada e a servir de ritual cristão ao culto divino testemunhado na quadra natalícia a Jesus Cristo - considerado o verdadeiro símbolo do Sol que vai nascer, para iluminar todo o homem que vem ao Mundo», explica Soledade Martinho Costa no livro «Festas e Tradições Portuguesas: Novembro/Dezembro».

As tarefas nesta quadra estão bem definidas. As raparigas enfeitam a Igreja para a Missa do Galo, momento religioso que celebra o nascimento de Cristo, enquanto os rapazes roubam os madeiros que serão queimados à noite.

Noutros tempos, os interessados em colaborar eram chamados com o auxílio de um búzio. Envolviam as rodas dos carros de bois com ‘baraços’ de palha de modo a evitar o barulho, para que tudo se processasse no maior silêncio. O transporte, conforme a tradição, continua a ser feito, por vezes, em carro roubado ou utilizado sem autorização dos respectivos donos, puxado por animais, ou empurrado pelos próprios rapazes, num específico rito sagrado, embora, actualmente, seja mais vulgar a utilização dos tractores com o respectivo reboque», lê-se no mesmo livro.

Utilizava-se lenha roubada por se acreditar que «a lenha assim ardida protegia o lar e a família». Estes rituais têm lugar na vila alentejana de Barrancos, protagonista nesta história, mas também noutras localidades como Juncais, Fornos de Algodres, na Guarda, Sernancelhe, em Viseu, Lardosa, em Castelo Branco.

De acordo com Soledade Martinho Costa, «na Antiguidade, o ritual sagrado do fogo, ou lume novo, acontecia por ocasião do solstício do Inverno, com as fogueiras acesas tendo por intenção que o Sol voltasse a brilhar com maior intensidade, temendo-se, particularmente nas comunidades rurais, que as trevas afastassem definitivamente a luz e o calor, situação que correspondia a um acentuado declínio da luz solar e respectiva diminuição gradual do sistema diurno, até ao culminar no dia menor do ano – o dia de Natal».

A 24 de Dezembro, com o entardecer, acende-se o lume. Fica a ganhar força, enquanto dentro de portas se convive em torno da mesa. A Sul come-se peru e bacalhau, este mantém-se nas tradições nortenhas ao qual se junta, nas beiras, o polvo. Os doces ficam já para saborear na rua com a família e vizinhos. Em torno da fogueira comem-se filhoses, sonhos, grelham-se febras e os enchidos. A noite é longa e acompanhada por artistas da terra, toca-se concertina, canta-se ao desafio.

Na vila alentejana, o lume arde frente à Igreja que se enche para a Missa do Galo. Fecham-se portas. Dentro faz-se silêncio. Fora fica um burburinho que aguarda o final da missa para se elevar. Mais uma vez os sinos assinalam o fim do acto religioso. Abrem-se as portas da Igreja.

Em Barrancos, começam a tocar as zambombas (em Espanhol). Uma tradição que chega pela proximidade com Espanha (a localidade espanhola mais próxima está a oito quilómetros). O instrumento é tocado pelas festividades natalícias e é considerado de percussão. Trata-se de um tambor de fricção.

O instrumento é composto de um objecto cilíndrico, construído por exemplo em madeira ou cerâmica. Uma das extremidades do cilindro é fechada com pele. No centro da pele faz-se um pequeno orifício através do qual se faz deslizar uma vara. É a fricção da vara na pele que produz o som grave deste instrumento. A festa que reúne a vila em torno do lume gigante do centro da localidade vai durar até ao raiar do Sol.

De Norte a Sul do país, o povo ficará com a missão de manter as fogueiras acesas até ao dia 6 de Janeiro, Dia de Reis. Manda a tradição que se deve manter quente o Menino.
 
in: http://www.cafeportugal.pt/